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Masdar, a cidade sustentável

Postado em: 18/04/2013

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Os Emirados Árabes Unidos são mundialmente reconhecidos por seus luxuosos e ousados projetos arquitetônicos, variando desde Burj Khalifa[1] em Dubai, que com 829,8 metros de altura é a construção mais alta já feita pelo homem, até construções como a Capital Gate [2], a torre mais inclinada do mundo em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos:

Todo esse luxo no meio do deserto é possível devido a exorbitante riqueza proveniente da abundância de petróleo na região. Tal abundância de petróleo fez com que seu preço fosse menor, gerando um uso indiscriminado desse tipo de fonte de energia, o que culminou no título de país com maior pegada de carbono per capita do mundo [3].

Não satisfeitos com a situação, os governantes de Abu Dhabi lançaram um plano[4] para reduzir a dependência da economia nos derivados de petróleo e aumentar o foco em indústrias baseadas em conhecimento, previsto para ser concluído em 2030. Nesse plano, a prioridade é construir uma economia sustentável que beneficie a todos.

A cidade de Masdar [5] é resultado da busca pelo conhecimento e pela economia sustentável. Masdar quer dizer “a fonte”, indicando que a cidade é fonte de inovação e conhecimento nas áreas de tecnologia limpa e energias renováveis. A cidade depende majoritariamente de energia solar, sendo o resto da energia necessária suprida por outras fontes de energia também renováveis. A cidade almeja ser ecologicamente sustentável, com emissão de carbono e desperdício zero, além de ser uma cidade livre de carros.

Por ser uma cidade projetada desde o seu início, todas as decisões foram tomadas para que os objetivos fossem alcançados. Por exemplo, para reduzir a temperatura da cidade, ela está sendo construída com ruas estreitas, onde os prédios geram grandes áreas de sombra sobre as ruas e os carros foram substituídos por veículos elétricos no sistema PRT (Personal Rapid Transit) [6].

Além disso, para minimizar gastos com climatização as construções contam com novas tecnologias de isolamento térmico. Também foi construída uma Torre de Vento com 45 metros de altura (aproximadamente da altura de um prédio de 15 andares), capaz de capturar correntes de ar mais frio em níveis superiores e direcioná-las para o nível da rua.

A cidade busca fornecer um ambiente em que inovação e conhecimento nas áreas de tecnologia limpa e energias renováveis possam florescer. Para isso, o já em funcionamento Instituto de Ciência e Tecnologia de Masdar [7] oferece programas de mestrado e doutorado nessas áreas, as oportunidades valem não só para pessoas da região, mas também para intercambistas. Inclusive, dois estudantes de nosso país já aproveitaram essa oportunidade [8].

Inicialmente, o projeto possuía previsão para terminar em 2016, mas devido à crise econômica mundial a previsão de término foi alterada para 2025. Ainda assim, o Instituto de Tecnologia já se encontra em funcionamento. Vamos torcer para que esta iniciativa e as que ainda estão por vir sejam bem-sucedidas. Nosso planeta agradece.

Post por Vitor Borges.

Fotos:

  1. http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/2/2f/Burj_Khalifa_building.jpg

  2. http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/27/Capital_Gate.JPG

  3. http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/11/Masdar_city_%283%29.jpg

  4. http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6e/Masdar_PRT_%281%29.jpg

  5. http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/94/Masdar_city_%281%29.jpg

  6. http://www.masdar.ac.ae/gallery/yoto40mrx269.jpg

Capa – http://www.industryleadersmagazine.com/wp-content/uploads/2011/05/masdar-2.jpg

O que eu faço com esse skate velho?

Postado em: 05/04/2013

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sk8-carlos

O que não conseguimos reutilizar hoje em dia?! É difícil pensar, pois com um pouco de criatividade conseguimos transformar coisas que se tornaram inúteis em algo que possa ter valor novamente.

Então, aquele skate velho que está abandonado, também pode ter serventia novamente! Podemos pensar nele não só como um pedaço de madeira resistente, mas como algo “cool” e que não terá aquela cara de “trouxe lixo pra minha casa para ser ecológico”.

As possibilidades são infinitas, desde instrumentos musicais a vestuário. Veja alguns exemplos:

Skate e música tem tudo a ver. Então por que não uma guitarra feita de skate?! Foi o que fizeram os amigos argentinos  Ezequiel Galasso e Gianfranco de Gennaro:

Por ter um material resistente, outra ideia é utilizar como degrau de escada:

Como não poderia faltar, também tem capa para iPhone:

Uma prancha feita de outra prancha, mas para um esporte diferente:

Utilizou o shape do skate mas não sabe o que fazer com os trucks? Uma utilidade bem legal pra eles:

Ou até algo bem simples, como um abridor de garrafas, feito pelo Designed Good:

Que tal esta linha de óculos, com armações feitas com skate reciclado?

Estilosos móveis para sua casa:

E esculturas, feitas pelo artista guatemalteco Dario Escobar:

E outras, feitas pelo artista japonês Haroshi:

Tudo isso tem a ver com o Ilha Design e mais ainda com o nosso tema do ano de 2013, mas isso, é assunto pra outro post!

Post por Carlos Victor da Silva.

Gráfica verde!

Postado em: 26/03/2013

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Você é designer e tem vontade de desenvolver um projeto mais amigo da natureza, mas não sabe por onde começar? Temos uma dica bem legal para você: Gráfica Sustentável!
A escolha da gráfica para impressão de um projeto pode fazer toda a diferença, já que não são todas que trabalham sob viés da sustentabilidade. A opção por esse diferencial reduz bastante os impactos ambientais de um projeto.
Conheça agora a rotina sustentável da Holográfica (empresa de grande reconhecimento na área de sustentabilidade no Rio de Janeiro):
1) Todo o material de descarte é separado:

Além de trabalhar com a coleta seletiva do lixo comum, os produtos químicos descartados são reservados em tonéis (roxos) que voltam para a empresa que os produziu, responsabilizando-se pelo descarte consciente.


Todas as máquinas possuem uma espécie de cesto (amarelo) em que são colocadas apenas aparas de papel, assim a gráfica encaminha esse material para uma ONG que se responsabiliza pela sua reciclagem.

2) Trabalha com matérias-primas para propostas sustentáveis:

Papel FSC: é o papel certificado cujo manejo ambiental conserva a biodiversidade e os direitos das populações que vivem nas florestas.
Cola Vegetal: é um adesivo à base de amido de milho próprio para acabamento gráfico, cartonagem e empastamento, que não causa danos à natureza quando descartada.
Tinta à base de óleo vegetal: reduz o impacto de resíduos tóxicos, tanto sólidos quanto gasosos, ao contrário das tintas a base de petróleo ou gases naturais.
Verniz à base d’água biodegradável: é um verniz ecologicamente correto, que não agride o meio ambiente e não causa riscos em seu armazenamento e nem aos que manusearem o  produto.

3) Certificações:

FSC Brasil – Conselho Brasileiro de Manejo Florestal
O Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC Brasil) é uma organização  não-governamental, independente e sem fins lucrativos, reconhecida como uma OSCIP  (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e com cadastro no CNEA (Cadastro  Nacional de Entidades Ambientalistas). O Conselho Brasileiro de Manejo Florestal tem  como missão difundir e facilitar o bom manejo das florestas brasileiras conforme   princípios e critérios que conciliam as salvaguardas ecológicas com os benefícios sociais e a viabilidade econômica.

RoHS – Restriction of Certain Hazardous Substances (Restrição de certas substâncias perigosas)
São diretivas européias que estabelecem procedimentos para que tanto as matérias-primas utilizadas no processo produtivo quanto os produtos finais estejam isentas ou em percentuais toleráveis de substâncias tóxicas como o cádmio, mercúrio e chumbo.

ISO 14001
Internacional Organization of Standardization (Organização Internacional de Padronização)
É um sistema de gerenciamento ambiental que inclui a estrutura organizacional, o planejamento de atividades, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e  recursos para o desenvolvimento, implementação, alcance, revisão e manutenção da  política ambiental.

Certificação Selo Verde de Operação
Dado as indústrias em reconhecimento pelos procedimentos ecologicamente corretos em  suas operações de destinação de resíduos industriais.

Licença Ambiental
Atesta que a gráfica não joga nenhum tipo de resíduo sólido ou líquido em aterros ou  águas fluviais, significa que todos os descartes são reciclados ou reaproveitados pela  empresa.

Agora que você já está por dentro, que tal escolher uma gráfica verde pro seu próximo projeto?

Post por Camille Moraes
Fonte:

Produção gráfica sustentável – Um estudo para designers – EVERTON BARIA e REGINA CUNHA
WILKE (http://portal.anhembi.br/sbds/anais/SBDS2009-029.pdf)

Fotos: Camille Moraes

Design Sustentável

Postado em: 17/05/2012

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Em tempos de Rio +20, a palavra Sustentabilidade está em alta. Aproveitando a deixa, que tal entender como o Design se encaixa nessa história toda?

O Design Sustentável, como o nome já diz, tem como pilar de sustentação o tripé da Sustentabilidade: Sociedade, Meio Ambiente e Economia. O profissional que faz design para a sustentabilidade busca projetar produtos economicamente viáveis, ecologicamente corretos (que tenha a preocupação de minimizar seus impactos ambientais) e socialmente equitativos (justos).
Para ficar mais claro, vamos definir melhor esses três pontos:

  •  Produtos economicamente viáveis: Não deve ter um custo excessivo tanto na fase de produção quanto no valor final do produto, garantindo assim o acesso ao maior número de consumidores possível.
  • Produtos ecologicamente corretos: Uso de materiais de baixo impacto ambiental (menos poluentes, não-tóxicos, produzidos sustentavelmente, reciclados, ou que utilizem menos energia na fabricação); produtos que durem mais, gerando menos lixo (qualidade e durabilidade); projetos que sobrevivam ao ciclo de vida e criação de ciclos fechados sustentáveis (possibilitando a reciclagem). É aqui que entra o conceito dos “3 R’s”: Reduzir, reutilizar e reciclar .

É importante destacar que dizer que um produto é sustentável não significa que ele não cause impacto algum sobre o meio ambiente. O design para sustentabilidade busca a minimização destes, já que é impossível uma produção ter impacto zero.

  • Produtos socialmente equitativos: Buscar oferecer com o design recursos para superar as barreiras da desigual dade social e tecnológica, resgatando assim a cidadania e a dignidade geradas pelas oportunidades de desenvolvimento.

A Bienal de Design do ano de 2010 que aconteceu na cidade de Curitiba teve como tema central “Design, Inovação e Sustentabilidade”, expondo diversos projetos sustentáveis. A fim de ilustrar o nosso assunto, selecionei três deles que mostram diferentes abordagens do design sustentável:

 

Sinalização para o evento “Viva a Mata”

Design por: equipes de Karina Castardelli e Nido Campolongo, São Paulo, SP

Produção: Fundação SOS Mata Atlântica, São Paulo, SP

Foto: Carlos Piratininga

Viva a Mata é um evento anual que mostra as iniciativas criadas em prol da Mata Atlântica. O papelão foi o suporte do projeto, sendo nele trabalhados elementos antropomórficos (com formas humanas) ligando o homem à natureza, representando a relação existente entre eles. Todo o lixo gerado durante o evento foi reunido por uma cooperativa de catadores e os banners e faixas reutilizados na fabricação de novos produtos como bancos e sacolas para a ONG.

 

Berço Esplêndido

Design por: Bolaioto / Paulo Pelá, Rio de Janeiro, RJ

Produção: Polionda, São José dos Pinhais, PR

Foto: Paulo Pelá

Berço portátil e desmontável projetado para atender recém nascidos até os nove meses de idade para abrigos em situações de emergência. Depois do lançamento, acabou alcançando outro nicho do mercado: berço para pequenos deslocamentos dos bebês (casa da avó, casa de praia…). É de fácil montagem e utiliza apenas encaixes.

 

Selo Agricultura Familiar

Design por: Nexo Design (Naotake Fukushima e Gerson Luiz Cordeiro), Curitiba, PR

Produção: Lapinha Orgânicos, Lapa, PR SPA Lapinha produz alimentos orgânicos há mais de quarenta anos e precisava explicitar o processo de manufatura dos seus produtos, sendo o selo a solução encontrada. A empresa auxilia os pequenos agricultores da região Lapa (PR), contribuindo para a fixação das famílias no campo e incentivando a produção orgânica. O selo é impresso em caixas de papel kraft e as embalagens de vidro com tampas de alumínio, pensando na reutilização/reciclagem.

Afinal de contas, por que trabalhar com design sustentável?

O design é peça fundamental para a aceitação de um produto pelos consumidores e é partindo desse ponto que assumimos o papel de “modificadores de padrão de consumo”, pois o nosso processo de criação atua como gestor (administrador) de processos de transformações comportamentais.

 

Quando pensamos um projeto sustentavelmente, estamos indo além de aumentar as possibilidades de venda, estamos poupando o meio ambiente de maiores impactos e contribuindo para o exercício da responsabilidade social. Fazer design sustentável é projetar para a pessoa e não apenas para o mercado, é projetar no presente pensando no futuro, é fazer design completo.

Fonte: Catálogo da Bienal Brasileira de Design 2010 – Curitiba, PR

 

[Por Camille Moraes]

Carnaval do Ilha Design

Postado em: 21/02/2012

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É tempo de carnaval! Muitas cores para todos os lados, fantasias, samba e aquela alegria contagiante dos blocos de rua e desfiles. E falando em bloco, que tal fazer o bloco do Ilha Design?

A concentração é na Escola Municipal Brigadeiro Nóbrega e passa por toda a Vila do Abraão, indo pela rua de trás e voltando pela orla, chamando todo mundo para participar, chegando enfim na praça da igreja, e só acaba quando o sol se puser.

A banda é a bateria da Ilha Grande, e os instrumentos são embalagem de iogurte cheia de arroz, panela velha, lata de lixo e latinha de leite condensado. Opa, achou uma garrafa vazia no caminho? Não, não é lixo, é mais um instrumento para a banda! E quem não tem nada para batucar? Ora, nada melhor que a percussão corporal. Já reparou quantos timbres você consegue fazer usando só o seu corpo?

Agora pegue aquele jornal de ontem, uns tecidos velhos e um pedaço de papelão e você já pode se transformar em um guerreiro de armadura e espada! Ou a sereia que protege os mares da Ilha! Um super-herói com máscara de papel machê, um monstro de garras de papelão ou ainda os animais da floresta feitos com pintura corporal. Solte a imaginação, monte sua própria fantasia!

Não existe lixo, porque tudo vai ser reaproveitado e reciclado; não existe exclusão, porque integra todo mundo. Então vamos levantar o estandarte do Tobi Cabuloso, abrir passagem pela cortina de borboletas de origami e curtir o carnaval mais sustentável do país!

 

[Por Francisco Carriço]